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sexta-feira, 13 de março de 2015

BILLIE NO ITAÚ CULTURAL DE SP!

DIA 17, ÀS 20HS.

ÚNICA APRESENTAÇÃO!

(mais informações, neste link http://novo.itaucultural.org.br/programe-se/agenda/evento/terca-tem-teatro-2/)

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

BILLIE AGORA EM SÃO PAULO!

BILLIE NO SESC IPIRANGA - TEMPORADA OUTUBRO/ NOVEMBRO EM SP! APAREÇAM!!!

clique no link abaixo para mais informações.
http://www.sescsp.org.br/programacao/45587_BILLIE#/content=saiba-mais

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Billie volta em cartaz em Curitiba!


quarta-feira, 14 de maio de 2014

Billie na revista ANTRO POSITIVO



"O texto oferece um encontro raro e íntimo com tamanha sutileza e respeito, que se chega a duvidar se o autor não dividiu com a cantora ao menos algumas doses" (pág. 257)

Texto incrível e preciso que saiu sobre Billie assinado por Ruy Filho. Está na nova edição da revista Antro Positivo, que traz ainda a peça na íntegra e uma matéria especial sobre o meu queridíssimo maestro Beto Bruel (iluminador de Billie).

Clique aqui para abrir a revista
http://issuu.com/antropositivo/docs/antropositivoed10





sexta-feira, 25 de abril de 2014

Saídas de emergência - Joyce, Leminski e a Companhia Brasileira.

por Alexandre França

O mérito maior em literatura: fazer literatura escapando da literatura. Diluir o que corresponde, rachar o elo entre o que se coloca e o que se entende. Poderia dizer, numa análoga compreensão de um panorama ainda incompleto, que o mesmo se dá com o teatro: fazer teatro nas saídas de emergência que existem para tudo o que não é teatral. Peguemos como exemplo o capítulo delirante de Ulysses correspondente a Circe na Odisseia de Homero, onde encontramos a personagem num surto psíquico ao se deparar com prostitutas, cafetinas e sórdidos bebuns a ralhar sua pretensa fraca moral. Há um desvio de rota no conjunto reconhecível de elementos formadores de um ambiente. Memória processada numa caldeira de resíduos imaginários, onde num só tempo, nos deparamos com a mutação de contextos e ambiências bombardeadas pelos contrastes existentes na estrutura do que está sendo dito. A todo momento, novidades imagéticas e contextuais são colocadas para imprimir a sensação de delírio e escapar, em certa medida, do ambiente tradicional do que se entende por literatura (e até mesmo de um estado delirante) – beijos falam, elementos da mitologia irlandesa aparecem ao acaso, os afetos viram motivos para se dar corda ao mecanismo da alucinação. Ao final, ou ao conjunto gestáltico do que nos é dado, entendemos uma nova artéria literária pulsando fora do circuito já reconhecido. A literatura, então, se faz pela fuga literária – pela construção de saídas de emergência da sala higienizada da fórmula canônica.

Como podemos perceber em uma literatura mais comercial (aqui, sem entrar no valor que o nome literatura pode representar em alguns círculos de análise), como a chamada auto-ajuda, por exemplo, um rosto padrão é colocado para dialogar com o leitor. Parecido com as técnicas utilizadas por “videntes” para se parecer de fato um vidente (perguntas genéricas, leitura facial, leitura corporal, a utilização de temas relacionados a família, amigos, bem como sentimentos universais – inveja, orgulho, etc, etc), o rosto exprime exatamente o limite do que entendemos sobre literatura. E isso pode se dar, também, com uma literatura de alto teor de pesquisa e construção. Um drama histórico, dependendo do viés comercial em que é colocado, por mais que diga respeito a figuras existentes, nos colocará diante de um rosto de fácil apreensão. Claro, quanto mais estranho o rosto for, mais os enigmas se aproximam da mágica do insolúvel. Isso se dá em diversos níveis – mas a fuga, a saída de emergência, uma hora ou outra, deve ser criada, para que uma sala após outra seja antecipada em nossa mente na tentativa de fuga da literatura para outra literatura. Os olhos do que ainda não tem rosto é o princípio do ato – reconhecer que alí podem haver olhos, é o começo da caminhada.

Há também uma fuga que se dá tangencialmente ao livro. Peguemos a frase Und alle Schiffe brücken, existente no final do próximo capítulo da citada obra. Há, aparentemente um possível problema com a palavra “brücken”. Muito se discutiu sobre o significado de tal palavra deslocada de sua função em língua alemã (brücken, aqui utilizado como um verbo, seria o plural de “ponte”). Uma das conclusões que muitos chegaram foi a de que o autor brinca com sonoridades distintas em línguas diferentes – broken, no inglês, quebrar, com bruke, quebrar em alemão e, finalmente, o deslocamento final de sentido e função – brücken (pontes), utilizado como verbo. A frase “e todo barco quebra” (und alle schiffe brechen), transforna-se, eletrifica-se, com a brincadeira criada por Joyce ao trocar brechen por brücken (talvez, fruto do estado de embriagues da personagem Stephen Dedalus, talvez pura sacanagem do autor para que procuremos sentido dentro de uma obra atravessada por furos). Uma possível tradução final – “e todo barco quebra-pontes”, não fecha o ciclo de significados do original. Aliás, poderíamos por durante horas buscar o alvo certo de tal interpretação. E talvez o enigma que leva a obra a se fazer por fora de seu sistema circulatório, seja uma forma de não-literatura se constituindo literatura em nossa cabeça. Como se para além da relação livro-leitor-realidade, Joyce propusesse a relação livro-leitor-realidade-virtual, quando percebemos já nos enredar numa teia de discussões concernentes a trechos da obra, que ganham vida em foros virtuais de aprofundamento (criando, assim, um núcleo potente na formação de uma outra literatura, incluindo aí a acadêmica)

No caso do teatro, o ciclo de peças dedicadas a Paulo Leminski da Companhia Brasileira traduz no palco tanto esta fuga do corpo reconhecível do que se entende por teatro, quanto a relação obra-público-realidade-virtual. Há, na peça “Vida” por exemplo, o anúncio de que o texto teria sido inspirado na obra de Leminski (em cartazes e outros materiais de divulgação) – no entanto, a peça parece trilhar um outro percurso, ao criar uma autonomia de universo, borrando os limites entre o estilo, a obra em si e a vida do poeta curitibano, junto ao estilo, obra e vida das personagens colocadas no palco (e de alguns atores, como no caso de Ranieri Gonzales, que explica em determinado momento a história de cada uma de suas tatuagens reais espalhadas pelo corpo). Uma banda prepara um ensaio que nunca começa e nunca acaba de verdade – estamos no espaço do não-lugar do desdobramento virtual, de uma obra que foge a todo instante da teatralidade fácil, criando uma nova artéria de circulação de imagens, nos levando a, de alguma maneira, pela via da fuga, associar o ato (teatral a ponto de transbordar as bordas do teatralmente aceitável) a Leminski e ao próprio mecanismo do fracasso teatral que nos pede, assim como pedia o poeta, uma nova forma de configurar o sistema.


Descartes com Lentes faz a ousadia de encenar o proto-texto de Catatau, o romance experimental publicado pelo poeta no ano de 1975. Densa e virtuosa, a peça (interpretada brilhantemente por Najda Naira) carrega em seu bojo todo um núcleo de referências que, na melhor tradição Joyceana (e é impressionante e curioso como reconhecemos o espírito de Joyce untando as paredes da muralha monumental construída por Leminski em seus dois únicos romances), nos leva à seara do desdobramento off-obra. A utilização da mistura de línguas, ruídos entre sonoridades distintas, neologismos, palavras valises, e toda uma série de recursos Joyce-mallarmaicos, nos transporta ao confuso espaço mental de Descartes frente a exuberância da flora e da fauna brasileira, e nos remete a essência performática da obra em si, que, desde sempre, pretendeu furar o asfalto paradigmático da narrativa, para dar forma a um fenômeno de outra ordem – literatura que se faz pela via do não-literário e que agora se faz performance em toda sua potência. Catatau, assim como Finnegans Wake, nasceu para ser falado – e mesmo neste quesito, tanto Leminski quanto Joyce nos transfere para um outro espaço de apreensão do texto – muito mais teatral (inclusive por não estar dentro do “teatro”) do que solitário e literário. O não-teatral fazendo teatro, ao utilizar o texto não-literário que, com a Companhia Brasileira, agora também, incrivelmente, se fez literatura.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Crítica de Valmir Santos sobre a peça Billie

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quinta-feira, 10 de abril de 2014